Escrito por Newton Bastos – Presys Instrumentos – ISA Membership – ISA Vale Section

No quesito Gestão Metrológica, muitas são as dúvidas e tópicos que requerem esclarecimentos e explicações. Uma gestão efetiva e eficiente, passa com certeza pelo entendimento completo de diversos itens e a ISA e suas normas ANSI/ISA-5.1-2009 e ANSI/ISA-62382 poderão ser úteis para auxiliar na compreensão e traçar objetivos para melhores tratativas das calibrações e sua gestão.

Vale ressaltar que a gestão das calibrações, não visa lucro, mas visa:

  • Agregar qualidade aos serviços prestados;
  • Fornecer suporte para a qualificação de equipamentos e validação de processos;
  • Atendimento e conformidade com as normas de qualidade, segurança e meio ambiente;
  • Disponibilidade de mão de obra, de equipamentos e serviços que agreguem valor na produção;
  • Transformar a manutenção em parte integrante da produção.

Geralmente, com esta gestão, imprimindo uma melhoria contínua nos processos industriais para garantir a qualidade, conquista-se credibilidade interna do departamento, dos prestadores de serviços e a gestão das calibrações passa a ser realizada de forma informatizada, minimizando a interferência do executante no resultado final da calibração, além de ganhos com produtividade e qualidade nos serviços executados.

Existem duas (02) normas importantes da ISA que abordam o tema de Instrumentação e que devem ser estudadas e atendidas para estabelecer segurança nos processos de calibração e metrologia na Industria.

São elas:

  • ANSI/ISA-5.1-2009 – Instrumentation Symbols and Identification
  • ANSI/ISA-62382-2012 (IEC 62382 Modified) – Automation Systems in the Process Industry – Electrical and Instrumentation Loop Check

A tecnologia em Instrumentação & Automação está mudando muito rapidamente. Para acompanhar essa evolução, as normas ISA oferecem respostas e informações que chegam de forma sistemática, rápida e eficiente aos profissionais. A identificação funcional de instrumentos deverá ser estabelecida de acordo com a função do instrumento ou função programada e não de acordo com sua construção.

As Normas ISA darão bases sólidas para estudos de viabilidade técnica para implementação da gestão de laboratórios de calibração nas indústrias e para contratar seus respectivos prestadores de serviço. Reforçar qual será o papel da metrologia nas indústrias, estimular as discussões do por que calibrar e de orientar na implantação de um completo sistema de gerenciamento calibrações.

  • ANSI/ISA-5.1-2009

Esta norma amplamente utilizada estabelece um método uniforme de identificar instrumentos ou dispositivos e suas funções inerentes, sistemas de instrumentação e funções do software aplicativo utilizado para medição, monitoramento e controle, por apresentar um sistema de designação que inclui sistemas de identificação e símbolos gráficos. Primeira versão foi publicada em 1949 como ISA-RP-5.1.

Destina-se não apenas para P&IDs, mas também para PFDs, UFDs, EFDs, DMFs SFD, documentos técnicos, especificações e ordens de compra, e muitos outros tipos de documentos de engenharia.

A documentação de sistemas de controle e instrumentação são abordadas de forma a incluir diagramas de processo de fluxo, diagramas de tubulação e instrumentação, índices de instrumentos e bases de dados, formas de especificação, diagramas lógicos, diagramas de alça, detalhes de instalação e planos de localização. A finalidade e conteúdo destes documentos, bem como as opções no que diz respeito à informação apresentada, são discutidos em detalhe na ANSI/ISA-5.1-2009.

A obrigação da documentação nos sistemas de controle e instrumentação para apoiar a coordenação interdisciplinar para um projeto, visando fornecer detalhes suficientes para oferecer e comprar componentes e serviços e apoiar todo o trabalho de construção é abordada nesta norma. A exigência fundamental que os desenhos e dados presentes com informações críticas para o trabalho de manutenção é essencial.

 

  • ANSI/ISA-62382-2012 (IEC 62382 Modified)

Esta norma define os procedimentos e especificações para o check loop, que compreende as atividades entre a conclusão da construção loop (incluindo a instalação e verifica ponto-a-ponto) e o start-up de comissionamento a frio.

Esta norma é aplicável para a construção de novas unidades e para a expansão / retrofits (ou seja, reformulação) de E & I (Electrical & Instrument) instalações em plantas já existentes (incluindo PLC, BAS, DCS, montado no painel e instrumentação de campo).  Ela não inclui uma verificação detalhada dos sistemas de distribuição de energia, a não ser como eles se relacionam com o loop a ser verificado (isto é, uma partida de motor ou de uma fonte de alimentação para um transmissor de quatro fios).

Para a ANSI/ISA-62382, um tópico relevante é a Calibração em Malha.  Alguns profissionais chamam de Calibração em Malha a ação de gerar sinal na ponta do cabo de um determinado instrumento e ler este valor na IHM ou no supervisório ou no SDCD. Isto não é uma Calibração em malha. Calibração em malha é o ato de gerar a grandeza primária no primeiro elemento da malha e ler este valor na IHM ou no supervisório ou no SDCD, sendo este o último elemento da malha.

Uma Calibração de uma malha de temperatura composta pelo Pt100 (TE), peto transmissor (TT) e pelo cartão do CLP interligado ao sistema de supervisão. Calibrar ponto a ponto, será calibrar o TE utilizando um banho térmico, gerando calor e lendo o resultado. Calibrar o transmissor utilizando um gerador de sinal ohms e leitor de mA e por fim calibrar a entrada do cartão do CLP utilizando um gerador de mA e observando o valor no IHM, sistema de supervisão ou SDCD. Calibrar em malha será, utilizar um banho térmico para gerar calor padronizado no TE e observar o valor no IHM, sistema de supervisão ou SDCD, diretamente e já avaliar erros e incertezas envolvidas.

Itens Normativos que um Sistema de Gestão de Calibração deve contemplar.

Seguem abaixo alguns itens normativos que devem ser observados com atenção por um sistema de gestão metrológica.

  • Validação e Verificação/Confirmação de desempenho – itens 5.4.2 e 5.4.5 da ISO/IEC 17025:2005
  • Cálculo de Incerteza – item 5.4.6 da ISO/IEC 17025:2005
  • Controle de Qualidade – item 5.9 da ISO/IEC 17025:2005
  • V.I.M. – Vocabulário Internacional de Metrologia – Portaria INMETRO 029 de 10/03/1995
  • Conteúdo de Certificado de Calibração – item 5.10.2 e 5.10.4 e 5.10.7 da ISO/IEC 17025:2005
  • Capacitação Profissional – item 4.1.5 e 4.1.6 da ISO/IEC 17025:2005

Atualmente a gestão metrológica vem ganhando espaço dentro das indústrias em diversos segmentos. Integridade, Autenticação e Trilhas de Auditoria, vem sendo exigido dos fornecedores de sistemas e softwares para esta finalidade. Ferramentas para gerenciamento da calibração, emissão de certificados e principalmente atender requisitos regulatórios para uma efetiva Gestão Metrológica são necessárias para tal.

Um detalhe que deve ser lembrado, quando falamos de Calibração em transmissores, seja de pressão, temperatura ou qualquer outra grandeza, mas que para serem calibrados necessitam de 02 padrões, em grandezas diferentes e com seus erros e incertezas expressos e analisados, dentro dos critérios de aceitação.

Daí então a necessidade de sempre utilizar como base as normas, pois com elas a realização da Análise Crítica das malhas de Calibração e dos Certificados de Calibração se tornarão mais eficientes e dinâmicas.  As normas auxiliarão nas atividades da manutenção em calibração de instrumentos de processos, não apenas para as auditorias internas no sistema de gestão metrológica, mas também implementar mecanismos de monitoramento e controle dos processos de medição mais críticos. Um dos pilares para a confiabilidade das manutenções e garantia da qualidade nos processos é a utilização de normas, procedimentos e instrumentos calibrados, além de que sejam adequados para cada tipo de medição e serviço.

 

Publicado originalmente no Boletim da ISA Distrito 4 da Revista Controle & Instrumentação – Ano 19 – n° 207 – 2016.